O ponto de Partida.
Muito tenho abordado, em controle da contaminação, técnicas de filtragem, flushing, impactos dos contaminantes do lubrificante nos equipamentos, capacitação dos recursos humanos, amostragem correta e outras demandas operacionais, visando à correta e eficaz lubrificação industrial.x A cada dia a tecnologia evolui e, em decorrência, apresenta-nos as realidades funcionais e operacionais de maneira mais rica e abrangente. O impacto da tecnologia e do conhecimento aplicado na engenharia de lubrificação não é diferente. Mais e mais a ciência se aprofunda nos fenômenos do atrito e nas propriedades e comportamento dos materiais. A nanotecnologia já permite aos pesquisadores “visualizar” o que se passa em nível molecular na interação do lubrificante com as superfícies em movimento relativo. Nanosensores são capazes de medir com precisão espessuras de algumas poucas micras. Os nanoaditivos já são uma realidade e são promissores no advento de uma nova geração de lubrificantes inteligentes: os filtros absolutos de última geração utilizam meios filtrantes manufaturados com terras raras (Lantanídeos), e praticamente não apresentam nenhum tipo de delta P durante o seu ciclo de vida. Há inúmeros outros assuntos instigantes que serão tema de artigos futuros.
Entretanto há aspectos estruturais que devem ser atendidos para que as empresas possam se apropriar desses prodígios da tecnologia no amanhecer deste século, que clama por eficiência energética, confiabilidade, maximização dos recursos e economia ambiental. Para que esses paradigmas possam ser apropriados na engenharia e na prática da lubrificação, a integridade do lubrificante antes do uso deve ser assegurada de forma profissional. Qual é o ponto de partida? Como fazê-lo? Somente através de um armazenamento e distribuição criteriosa dos lubrificantes dentro da instalação industrial. Isso só pode ser feito, se estiver disponível um armazém de lubrificantes estruturado e organizado, assim como uma ou diversas salas de lubrificação dotadas de todas as funcionalidades, ferramentas e acessórios, visando à utilização de toda essa tecnologia contida nos lubrificantes e à eliminação de qualquer tipo de desperdício.
Não adianta comprar lubrificantes de alta qualidade, se não sabemos armazená-los até o momento do uso. Em um armazenamento inadequado, podemos perder toda a “qualidade” do lubrificante e comprometer substancialmente todo o resultado pretendido, que, em última análise, é a lubrificação confiável do equipamento.
Dessa forma, há duas estruturas físicas na manutenção do lubrificante antes do uso que, em verdade, estão deixando de ser ”básicas” e se tornando, como será visto abaixo, estruturas sofisticadas e avançadas. São elas: o armazém de lubrificantes e a sala de lubrificação.

O armazém de lubrificantes
O armazém de lubrificantes deve ser o mais protegido possível em termos de exposição a toda sorte de contaminantes e de movimentação excessiva. Deve sero mais hermético possível e só deve ser acessado por pessoas autorizadas e treinadas nos procedimentos operacionais de movimentação de cargas e lubrificantes. Um conceito básico a ser incorporado é que o armazém de lubrificantes está muito distante de um simples depósito de lubrificantes. Grande parte do que os lubrificantes não precisam é um depósito. Depósito é um lugar bom para se armazenar sólidos e outras mercadorias, não lubrificantes.
Seguem alguns aspectos e características necessários à instalação de um armazém de lubrificantes de classe mundial:
O controle atmosférico - A ventilação e exaustão devem ser controladas, não excedendo a 0,9 m³ por minuto/ m² de área útil. O portão de acesso deve ser o mais preciso e hermético possível. O controle de temperatura pode ser incrementado com a utilização de telhas duplas com isolamento térmico, tipo sanduíche, e forro rebaixado. O beiral do telhado deve ter um comprimento suficiente para manter as chuvas longe das paredes.A estabilidade de temperatura e de umidade dentro do armazém pode prolongar substancialmente a vida dos produtos armazenados. A faixa de temperatura de 28 a 30 °C deve ser a referência. A contaminação do ar deve ser controlada através de pré-filtros de elevada eficiência, visando ao controle de particulados > ou = a 10 micra;
A Iluminação - É fundamental que seja intensa o suficiente para a correta localização, identificação e movimentação de todos os produtos estocados sejam possíveis. A iluminação natural através de dutos refletivos e domos de acrílico tem ocupado um lugar importante no atendimento desse conceito. A economia de energia elétrica pode ser expressiva;
A movimentação ergométrica - Evitar impactos em embalagens de lubrificantes armazenados é uma prática altamente recomendada. A eliminação de movimentação e queda “pneumática” ou tombos diversos em embalagens é a melhor forma de evitar acidentes e autocontaminação do lubrificante dentro da embalagem. Quando a embalagem metálica sofre um impacto ou um esforço excessivo, imediatamente e internamente ela libera partículas no produto contido. Se esse produto for um óleo hidráulico, nesse exato momento, a causa raiz de problemas futuros pode estar sendo criada. Para evitar esses impactos, o armazém deve dispor de plataforma/empilhadeira ou dispositivo de movimentar tambores e, se for um armazém de grande tamanho, deve dispor de plataforma/empilhadeira para movimentar e suspender pallets de tambores ou contentores;
O piso - O piso do armazém deve ser antiderrapante, impermeabilizado e, de preferência, conter uma sinalização horizontal que auxilie na organização e localização precisa dos lubrificantes pelos seus grupos funcionais, tipos, usos etc. A sinalização horizontal é interessante também para delimitar as áreas de movimentação de dispositivos de transporte/movimentação e de empilhadeiras. Uma borda de contenção também deve ser prevista para o caso de derramamento e vazamento acidental de produtos. Esta borda evita que os produtos vazados ultrapassassem os limites do armazém. Ver no detalhe 1, na página 15, o corte dessa borda na soleira/ base da porta de correr do armazém. Como alternativa, uma grelha integrada a uma caixa separadora poderia igualmente ser utilizada. O kit contra vazamentos (spill kit) também deve ser disponibilizado, com capacidade de absorção, de, no mínimo, 10% do volume total de lubrificantes do armazém.

Não menos importante é a sinalização vertical identificadora dos produtos nas paredes e/ou prateleiras do armazém. Estas, de preferência, devem ser feitas indicando minimamente: o nome do produto, a viscosidade, a utilização, a embalagem. Na página 15 o layout de referência para o armazém de lubrificantes proposto. Cabe lembrar que as fichas técnicas dos produtos armazenados e as fichas de informações de segurança de produtos químicos-FISPQs hoje são obrigatórias nesses espaços.
Depois de resolvida a questão do armazém dos lubrificantes, chega a hora da distribuição desse lubrificante para as áreas ou unidades industriais. Essas salas tornam-se, a cada dia, mais sofisticadas, elaboradas e controladas, pois são nes- Um rack de tambores de óleo em uso na sala de lubrificação com filtro de respiro. ses locais que se preparam os lubrificantes e a “instrumentação”, para aplicá-los aos equipamentos, assim como são nessas salas que são separadas todos os materiais e utensílios para a operacionalização da monitoração preventiva ou preditiva dos equipamentos através dos lubrificantes em uso. Estas salas devem ser aptas e apoiar o seguinte:
- O condicionamento, preparação e fracionamento dos lubrificantes provenientes do armazém;
- A guarda e a manutenção das ferramentas manuais de lubrificação, inspeção e controle (ex: bombas de graxa, bombas pneumáticas, manuais ou elétricas de óleo, termômetros a laser, canetas de vibração etc.;
- A preparação, a guarda, a manutenção e o reparo dos utensílios, carros de filtragem ou de recuperação de lubrificantes e ferramentas de lubrificação;
- O planejamento e a roteirização da manutenção;
- A preparação e guarda do material para a coleta de amostras de lubrificantes;
- O armazenamento e a manipulação de outros consumíveis de lubrificação como filtros, elementos filtrantes, vedações, mantas absorventes, filtros de respiro, pinos graxeiros sobressalentes, lubrificadores automáticos monoponto etc.
Em termos estruturais, a sala de lubrificantes deve conter todas as funcionalidades e características do armazém descritas acima, porém deve ser mais “hermética” e preferencialmente ter uma porta dupla ou antessala de acesso, visando minimizar a entrada de correntes ou lufadas de ar. O condicionamento e a filtragem do ar também são recomendados. A exaustão deve ser calculada tomando-se como base 1,2 a 1,8 m³por minuto/m² de área útil. No layout ao lado temos uma sala de lubrificantes com as características apresentadas.

Pode-se perceber que o armazém dos lubrificantes e a sala de lubrificação evoluíram e continuarão a evoluir como exige a moderna lubrificação de equipamentos, devido à demanda por práticas, métodos e processos de lubrificação mais sofisticados e precisos. Nesses processos, o lubrificante é uma parte vital, que, para cumprir o seu papel, deve ser mantido até a hora de abastecer o equipamento de destino em uma condição igual, se não melhor, à do dia em que entrou no armazém do cliente consumidor. Esse é um grande desafio na higiene industrial, visando a uma lubrificação de ponta ou até mesmo, de “classe mundial”
Muito tenho abordado, em controle da contaminação, técnicas de filtragem, flushing, impactos dos contaminantes do lubrificante nos equipamentos, capacitação dos recursos humanos, amostragem correta e outras demandas operacionais, visando à correta e eficaz lubrificação industrial.x A cada dia a tecnologia evolui e, em decorrência, apresenta-nos as realidades funcionais e operacionais de maneira mais rica e abrangente. O impacto da tecnologia e do conhecimento aplicado na engenharia de lubrificação não é diferente. Mais e mais a ciência se aprofunda nos fenômenos do atrito e nas propriedades e comportamento dos materiais. A nanotecnologia já permite aos pesquisadores “visualizar” o que se passa em nível molecular na interação do lubrificante com as superfícies em movimento relativo. Nanosensores são capazes de medir com precisão espessuras de algumas poucas micras. Os nanoaditivos já são uma realidade e são promissores no advento de uma nova geração de lubrificantes inteligentes: os filtros absolutos de última geração utilizam meios filtrantes manufaturados com terras raras (Lantanídeos), e praticamente não apresentam nenhum tipo de delta P durante o seu ciclo de vida. Há inúmeros outros assuntos instigantes que serão tema de artigos futuros.
Entretanto há aspectos estruturais que devem ser atendidos para que as empresas possam se apropriar desses prodígios da tecnologia no amanhecer deste século, que clama por eficiência energética, confiabilidade, maximização dos recursos e economia ambiental. Para que esses paradigmas possam ser apropriados na engenharia e na prática da lubrificação, a integridade do lubrificante antes do uso deve ser assegurada de forma profissional. Qual é o ponto de partida? Como fazê-lo? Somente através de um armazenamento e distribuição criteriosa dos lubrificantes dentro da instalação industrial. Isso só pode ser feito, se estiver disponível um armazém de lubrificantes estruturado e organizado, assim como uma ou diversas salas de lubrificação dotadas de todas as funcionalidades, ferramentas e acessórios, visando à utilização de toda essa tecnologia contida nos lubrificantes e à eliminação de qualquer tipo de desperdício.
Não adianta comprar lubrificantes de alta qualidade, se não sabemos armazená-los até o momento do uso. Em um armazenamento inadequado, podemos perder toda a “qualidade” do lubrificante e comprometer substancialmente todo o resultado pretendido, que, em última análise, é a lubrificação confiável do equipamento.
Dessa forma, há duas estruturas físicas na manutenção do lubrificante antes do uso que, em verdade, estão deixando de ser ”básicas” e se tornando, como será visto abaixo, estruturas sofisticadas e avançadas. São elas: o armazém de lubrificantes e a sala de lubrificação.
O armazém de lubrificantes
O armazém de lubrificantes deve ser o mais protegido possível em termos de exposição a toda sorte de contaminantes e de movimentação excessiva. Deve sero mais hermético possível e só deve ser acessado por pessoas autorizadas e treinadas nos procedimentos operacionais de movimentação de cargas e lubrificantes. Um conceito básico a ser incorporado é que o armazém de lubrificantes está muito distante de um simples depósito de lubrificantes. Grande parte do que os lubrificantes não precisam é um depósito. Depósito é um lugar bom para se armazenar sólidos e outras mercadorias, não lubrificantes.
Seguem alguns aspectos e características necessários à instalação de um armazém de lubrificantes de classe mundial:
O controle atmosférico - A ventilação e exaustão devem ser controladas, não excedendo a 0,9 m³ por minuto/ m² de área útil. O portão de acesso deve ser o mais preciso e hermético possível. O controle de temperatura pode ser incrementado com a utilização de telhas duplas com isolamento térmico, tipo sanduíche, e forro rebaixado. O beiral do telhado deve ter um comprimento suficiente para manter as chuvas longe das paredes.A estabilidade de temperatura e de umidade dentro do armazém pode prolongar substancialmente a vida dos produtos armazenados. A faixa de temperatura de 28 a 30 °C deve ser a referência. A contaminação do ar deve ser controlada através de pré-filtros de elevada eficiência, visando ao controle de particulados > ou = a 10 micra;
A Iluminação - É fundamental que seja intensa o suficiente para a correta localização, identificação e movimentação de todos os produtos estocados sejam possíveis. A iluminação natural através de dutos refletivos e domos de acrílico tem ocupado um lugar importante no atendimento desse conceito. A economia de energia elétrica pode ser expressiva;
A movimentação ergométrica - Evitar impactos em embalagens de lubrificantes armazenados é uma prática altamente recomendada. A eliminação de movimentação e queda “pneumática” ou tombos diversos em embalagens é a melhor forma de evitar acidentes e autocontaminação do lubrificante dentro da embalagem. Quando a embalagem metálica sofre um impacto ou um esforço excessivo, imediatamente e internamente ela libera partículas no produto contido. Se esse produto for um óleo hidráulico, nesse exato momento, a causa raiz de problemas futuros pode estar sendo criada. Para evitar esses impactos, o armazém deve dispor de plataforma/empilhadeira ou dispositivo de movimentar tambores e, se for um armazém de grande tamanho, deve dispor de plataforma/empilhadeira para movimentar e suspender pallets de tambores ou contentores;
O piso - O piso do armazém deve ser antiderrapante, impermeabilizado e, de preferência, conter uma sinalização horizontal que auxilie na organização e localização precisa dos lubrificantes pelos seus grupos funcionais, tipos, usos etc. A sinalização horizontal é interessante também para delimitar as áreas de movimentação de dispositivos de transporte/movimentação e de empilhadeiras. Uma borda de contenção também deve ser prevista para o caso de derramamento e vazamento acidental de produtos. Esta borda evita que os produtos vazados ultrapassassem os limites do armazém. Ver no detalhe 1, na página 15, o corte dessa borda na soleira/ base da porta de correr do armazém. Como alternativa, uma grelha integrada a uma caixa separadora poderia igualmente ser utilizada. O kit contra vazamentos (spill kit) também deve ser disponibilizado, com capacidade de absorção, de, no mínimo, 10% do volume total de lubrificantes do armazém.
Não menos importante é a sinalização vertical identificadora dos produtos nas paredes e/ou prateleiras do armazém. Estas, de preferência, devem ser feitas indicando minimamente: o nome do produto, a viscosidade, a utilização, a embalagem. Na página 15 o layout de referência para o armazém de lubrificantes proposto. Cabe lembrar que as fichas técnicas dos produtos armazenados e as fichas de informações de segurança de produtos químicos-FISPQs hoje são obrigatórias nesses espaços.
Depois de resolvida a questão do armazém dos lubrificantes, chega a hora da distribuição desse lubrificante para as áreas ou unidades industriais. Essas salas tornam-se, a cada dia, mais sofisticadas, elaboradas e controladas, pois são nes- Um rack de tambores de óleo em uso na sala de lubrificação com filtro de respiro. ses locais que se preparam os lubrificantes e a “instrumentação”, para aplicá-los aos equipamentos, assim como são nessas salas que são separadas todos os materiais e utensílios para a operacionalização da monitoração preventiva ou preditiva dos equipamentos através dos lubrificantes em uso. Estas salas devem ser aptas e apoiar o seguinte:
- O condicionamento, preparação e fracionamento dos lubrificantes provenientes do armazém;
- A guarda e a manutenção das ferramentas manuais de lubrificação, inspeção e controle (ex: bombas de graxa, bombas pneumáticas, manuais ou elétricas de óleo, termômetros a laser, canetas de vibração etc.;
- A preparação, a guarda, a manutenção e o reparo dos utensílios, carros de filtragem ou de recuperação de lubrificantes e ferramentas de lubrificação;
- O planejamento e a roteirização da manutenção;
- A preparação e guarda do material para a coleta de amostras de lubrificantes;
- O armazenamento e a manipulação de outros consumíveis de lubrificação como filtros, elementos filtrantes, vedações, mantas absorventes, filtros de respiro, pinos graxeiros sobressalentes, lubrificadores automáticos monoponto etc.
Em termos estruturais, a sala de lubrificantes deve conter todas as funcionalidades e características do armazém descritas acima, porém deve ser mais “hermética” e preferencialmente ter uma porta dupla ou antessala de acesso, visando minimizar a entrada de correntes ou lufadas de ar. O condicionamento e a filtragem do ar também são recomendados. A exaustão deve ser calculada tomando-se como base 1,2 a 1,8 m³por minuto/m² de área útil. No layout ao lado temos uma sala de lubrificantes com as características apresentadas.
Pode-se perceber que o armazém dos lubrificantes e a sala de lubrificação evoluíram e continuarão a evoluir como exige a moderna lubrificação de equipamentos, devido à demanda por práticas, métodos e processos de lubrificação mais sofisticados e precisos. Nesses processos, o lubrificante é uma parte vital, que, para cumprir o seu papel, deve ser mantido até a hora de abastecer o equipamento de destino em uma condição igual, se não melhor, à do dia em que entrou no armazém do cliente consumidor. Esse é um grande desafio na higiene industrial, visando a uma lubrificação de ponta ou até mesmo, de “classe mundial”










